NECRÓPOLIS- WYBSON CARVALHO
08/09/2014 15:45Necrópolis Lestiana
Lugar sem a palmeira,
lugar sem o sábia,
lugar sem o canto,
lugar sem a lira,
lugar sem a harmonia,
lugar sem o seu lugar!
Bem-vindo ao nosso blog
Necrópolis Lestiana
Lugar sem a palmeira,
lugar sem o sábia,
lugar sem o canto,
lugar sem a lira,
lugar sem a harmonia,
lugar sem o seu lugar!
Vídeo Tape
Frente à TV, assisto em alguns segundos,
A vida, em tapes, perdendo-se, sem rumo...
Vejo faces do crime, tragédia, desgraça,
Da corrupção, violência, fraude, trapaça...
Vejo a política com seu poder e sua cobiça;
Vejo a fome e o medo nas ruas morando;
O desemprego e a saúde em fila esperando...
Vejo as faces da tristeza, descrença, injustiça!
O homem, encurralado, parece já não ter,
A opção de poder, simplesmente, viver,
Com o mínimo de dignidade no mundo!
Pois esta esperança se faz mais remota
Quando em todo canto, em nossas portas,
Olhamos rostos de crianças moribundos!
Poetiza caxiense formada em Direito, ingressou no funcionalismo público federal em 1979 como Auditora Fiscal do Trabalho. Exerceu cargos ao longo da vida pública, a citar, a Assessoria Especial do DRT-MA. Em 2002 afastou-se do funcionalismo público em decorrência de sua aposentadoria por tempo de serviço para dedicar-se integralmente à vida cultural e literária.
Inês Pereira Maciel empreende uma trajetória profissional no universo jurídico, espaço por muito tempo eminentemente masculino, universo que permeou/permeia no imaginário social como estritamente objetivo, técnico e falocêntrico. No entanto, isso não inibiu sua inclinação para o campo das artes. Em Provinciana dá vazão a uma voz feminina autêntica, fincada em raízes interioranas, que se orgulha de ser a tecelã de sua história.
A obra poética de Inês surpreende a critica com uma arte sensível e rica em efeitos estéticos, destoante de suas atividades como Auditora Fiscal, revestida de códigos normativos e formalidades, próprias daquele meio, porque Inês já traz em suas entranhas o veio artístico que lhe é peculiar. Não foi à toa que escreveu Quimera aos 13 anos de idade, poema que integra a obra Despida.
Inês iniciou sua carreira no campo das Letras escrevendo crônicas para o Jornal da Cidade, Caxias-Ma, cuja produção resultou na obra Ramos do Tempo, publicada em 2003. Como diz Jorge Bastiani no prefácio da obra:
Com crônicas embaladas em fatos pessoais e pitorescos ela nos descreve tempos idos; mostra-nos a sua intimidade, improvisa imagens que podem ninar pensamentos como também nos suscitar uma análise mais apurada entre o real e o imaginário sem nos deixar cair por tangentes. Mantêm-nos no texto como se num trilho, através de sua linguagem simples e objetiva.
Publicou Despida em 2008. A obra engloba poemas que falam de gemidos, silêncios, alegrias, despedidas, esperanças, perdas, cujas marcas o tempo não foi capaz de apagar. Falam também de pulsações, desejos e superações, fatores que, juntos, corroboram para o fortalecimento identitário feminino. A obra, revestida de construção memorialística, envolve lembranças familiares e vivências na cidade que a viu nascer, crescer e fincar raízes. Como uma teia de aracnídeo, cujos movimentos não seguem uma linearidade, o eu poético vai tecendo o passado, alinhavando o presente e projetando-se em direção ao futuro, eis, o sentido das nuances identitária.
Como reconhecimento de sua arte, Inês é integrante da Academia Caxiense de Letras, ocupa a cadeira de nº 18, em cuja casa vem desenvolvendo projetos artísticos- culturais em prol daquela comunidade.
-Máquina Fotográfica:
Estou em preto e branco
Acompanham-me
Cinzas e cigarros apagados.
A ressaca do vicio, um trago indesejável.
Cai a mais pesada pedra do silêncio.
Tudo é filme antigo,
A noite é escura.
Não sei onde se esconderam as cores
Muito menos sei
Se o sol nascerá de novo.
(Op.cit.p,108).
-Liberta:
Sempre fui moça
Solta
Sem bolsa
E escova
Sem pulseira
Sem brincos
Nem batom
Vestia o que pensava
Aparentava o que pregava
Até ver meu estilo desbotado
Virando fiasco e pano de chão,
Meu mundo acorrentado
Beirando ao fracasso
E uma promessa, de mulher indefinida
Sem medo, sim!
Porém sem iniciativas
Não sei se troquei meus valores
Ou foram eles que perderam as cores
Com que roupa eu vou?
Agora que estou tão nua
E a vida é assim.
(Op.cit,p.109-110)
-O Castigo das Fadas:
Sentimentos
São laços de fadas que envolvem os humanos
Os meus, jamais devotei a alguém
Então caiu sobre mim um feitiço:
Nem príncipes, nem madrinhas ou amigos;
Nem toque de varinha de condão.
Nada de abobora ou sapatinhos,
E é por isso que tenho os pés no chão.
Caminho numa estrada sem lua.
O fim da estrada é pra solidão.
(Op.cit,p.112)
-Via Crucis:
O povo
Passa fome
Passa
Dor
A fome não passa
Não passa a dor
Não tem sabor
O povo
Passa
Frio
Passa
Sede
E fome passa até de amor
De tudo o povo é passador
E ainda é devoto
E vota poder
Ao seu agressor
O povo
É São Sofredor
Morre
E a Pátria não lhe tem amor.
(Op.cit,p.132-133)
-Incógnita:
Meu corpo
É o néctar da paixão
Que tu, abelha insaciável,
Exploras com ardor e sofreguidão
E o que me garantes, irresistível aventureira
O que será do meu mel
Se as flores são efêmeras
E a tua profunda sede é eterna.
(Op.cit,p.115)
-Alecrim:
O morro olha silencioso
A cidade.
Somente o vazio fértil ou as inquietações
Que existem no interior das pessoas
Mais serenas ou imensas
Falam.
As luzes
Dizem
A cidade,
A vida,
O mundo armado em concreto
Do homem selvagem,
Porém, ás vezes eterno,
Quem sabe prenhe a humanidade!
(À noite)!
Alecrim! Ninguém é de ferro
E a tua ternura quebrou-me
O concreto.
-Produto:
Desces a rua
De corpo em voga,
Vestido em modas
E alma nua.
Andas firme, imponente.
Respiras empáfia.
És belo, mas não te iludas:
És fútil
Embora pareças profundo.
Quando te olho,
Não tenho deslumbramento
Tenho cuidado.
Cuidado!
Em tua caixa está escrito
“FRÁGIL”.
(MENDES, 2001, p.107-108)
-Soneto da Luz:
Quando as tardes são mais quentes
Banhadas de vida, paixão e luz.
E as pessoas derramam-se, completam-se e confundem-se.
E são mais puras.
Quando a serenidade ocupa nossos espaços
A leveza pode inspirar liberdade- tentações!
A razão não vale mais nada
Explosão! Emoção!
E eu sou uma borboleta amarela que desliza sobre o azul,
Embriagada pelo encanto,
Decifra os sons do vento, bailando enamorada por entre as flores.
Meu coração é simples, porém Minh ‘alma é complexa.
Como mariposa que se precipita ao fogo, atiro-me sobre a profundidade do ser,
Em busca de luz. – Meu Deus, que loucura!
(MENDES, Sociedade das Letras: Prosa, Poesia e Cia.p.107)
-VIDA E OBRA DE IRIS MENDES:
Maria Iris Mendes do Nascimento, filha de Manoel Felipe do Nascimento e Maria Mendes do Nascimento, nasceu em três de fevereiro de 1969, às três horas da manhã, na Rua Nossa Senhora de Fátima, no bairro Piquizeiro, pelas mãos da parteira “Mãe Odocha”. É filha caçula entre os oitos filhos que teve o casal (5 mulheres e 3 homens)- Raimundo Nonato do Nascimento; Mauro Mendes do Nascimento; Marinalva; Marinete; Marizabeth; Maria Lina; Manoel Felipe; Maria Iris Mendes do Nascimento, todos caxienses.Cursou as primeiras letras na Unidade Escolar “Presidente John Kennedy”, ginásio e 2º grau no Colégio Diocesano “São Luiz de Gonzaga”.
Sua carreira de escritora começou desde cedo. Tomou consciência de sua vocação literária a partir das atividades de produção de textos realizados na sala de aula. Quando fazia a 7ª série no antigo Colégio Diocesano, no turno matutino a professora de Língua Portuguesa, Maria Benedita da Silva, já falecida pediu aos alunos que fizessem a descrição de um lugar qualquer. Iris Mendes usou a imaginação. Lembrou-se das imagens que lhe foram suscitadas pela leitura de um romance intitulado “O lago dos lírios”, uma obra da literatura inglesa. Ao receber o texto corrigido pela professora fez com que olhasse para o texto e descobrir-se que tinha fluência para escrever. Ao contrário dos demais não se assustava mais quando na sala de aula lançava-se “do nada”, uma proposta redação. A autora, ao lembrar-se do episodio ressalta as palavras de Ferreira Gullar, poeta maranhense, que diz ter aprendido a escrever. A experiência de Ferreira é igual à de Iris: descobriu que tinha um talento a ser lapidado, também na 7ª série, quando obteve nota nove em uma dissertação sobre o 1º de Maio, dia do trabalho.
No 2º grau, atual ensino médio, teve como professora de Língua Portuguesa Joseane Maia, que também lhe atribuía boas notas nas redações nessa época começou a produzir os primeiros poemas. A própria autora considera que os textos poéticos que produzia não tinham maturidade, mas com o tempo foi apurando a técnica e como Ferreira Gullar diz que aprendeu a escrever e que talvez isso não tivesse sido despertado se não fosse à escola. Nas duas últimas series voltou a ser aluna da professora Benedita, sempre obtendo sucesso nas produções textuais. Terminou o ensino médio aos 17 anos. Foi para São Luis aos 18, onde permaneceu seis meses em companhia dos seus irmãos. Voltou para a casa dos pais em Caxias e posteriormente, aos 19 anos, foi para Porto Alegre-RS, onde teve seu primeiro emprego com carteira assinada, em uma agência lotérica. Pediu demissão 5 meses depois, indo para São Paulo, onde morava seu irmão mais velho Raimundo Nonato. Por vários motivos decidiu voltar para o Maranhão. Recebeu uma carta de uma de suas irmãs convidando-a para voltar a São Luis, mas decidiu voltar para Caxias, achava que precisava ficar com os pais, seu pai já se encontrava doente, vindo a falecer em 28 de março de 1990. Nos vestibulares, o que menos temia era a redação. Enquanto os outros candidatos perguntavam sobre a quantidade mínima de linhas, queria saber qual era o máximo.
Iris Mendes prestou vestibular para Letras e tendo sido aprovada, ingressou no CESC-UEMA aos 21 anos. Na disciplina Língua Portuguesa I, que a grade curricular propõe para o 1º período, reencontrou a professora Joseane Maia que pediu uma produção de texto para estabelecer a primeira nota. Diante dos resultados teve que desistir da estratégia. Decepcionada comentou que apenas uns três alunos conseguiram obter nota aprovativa. Ao receber de volta seu texto, escrito a lápis, Iris percebeu que estava entre os três aprovados pela professora, que escreveu o seguinte comentário do seu texto: “ a estrutura está corretíssima”. A julgar pela correção viu que o texto não apresentava grandes problemas. Esse fato foi estimulante e serviu para que sentisse segurança e continuasse escrevendo. Ingressou no PCB-Partido Comunista Brasileiro em 1988 aos 18 anos, tendo se afastado do partido em um momento de crise em que o partido mudara a sigla PPS-Partido Socialista, liderado pelo ex-senador Roberto Freire. O grupo que pertence aos quadros do antigo PCB resolveu refundar o partido em Caxias. Todos tinham abandonado o PPS.
Teve militância no movimento estudantil da UEMA. Em 1990, fez parte da chapa “Novos Rumos”, formada só por calouros, vencendo as eleições para o diretório acadêmico. Nessa gestão Iris ocupava o cargo de secretária de imprensa. Era responsável pela produção do jornal confeccionado pelo órgão. Teve intensa atuação nesse movimento ao lado da professora historiadora, Maria Bertolina Costa (Betânia), atual diretora do memorial da balaiada e uma de suas fundadoras.
Iris volta-se também para militância cultural, é cofundadora do movimento ABRAÇARTE, fundado oficialmente em 12 de julho de 2006 em Caxias, inicialmente idealizado e gestado em reuniões na casa do historiador, professor Givaldo do Quinzeiro Soares seu colega de partido desde 1988. Em uma das reuniões em que estava presente o professor Elizeu Arruda, Iris propôs que o movimento lançasse um manifesto, a exemplo dos movimentos de Vanguardas Europeias e da primeira fase do modernismo no Brasil. Por sugestão do professor Givaldo e do professor Elizeu Arruda, ela mesma fora incumbida de produzir o texto do manifesto, apresentando as ideias e os propósitos do movimento. O movimento fora oficialmente fundado em abril de 2006, depois de seus idealizadores de primeira hora buscar aparo e parceria de instituições como: ACL, UNIVIMA e outros.
ANÁLISE DOS POEMAS: CANÇÃO AO EXÍLIO, DE WYBSON CARVALHO E PARA CAXIAS, DE SILVANA MENESES.
ANALISANDO O POEMA CANÇÃO AO EXÍLIO, RETIRADO DO LIVRO POESIA REUNIDA, DE WYBSON CARVALHO:
em minha terra havia palmeiras
e o canto dos sabiás.
nela, exalava o perfume
dos jardins urbanos.
dela, ouvia-se a linguagem
singela do cotidiano.
com a minha cidade crescia
a romântica dos poetas...
a inimizade humana
passava por sobre ela
em eólica turbulência rumo
às outras plagas,
para derramar-se noutros
cenários de ganância existencial.
à minha terra, na infância,
ouviam-se sinfonias sabianas
nas manhãs iniciais de um
futuro já desenhado ao abandono.
e,agora,quais árvores darão
abrigo a outros pássaros canoros
para entoarem um canto de saudade?
O poema Canção ao Exílio é de autoria do poeta e membro fundador da Academia Caxiense de Letras (ACL) Wybson Carvalho, com assento à cadeira nº30 patroneada pelo poeta João Vicente Leitão. No qual temos como temática central o saudosismo em relação à cidade de Caxias, a respeito dos tempos de sua infância. O poeta inicia o mesmo saudando a beleza da cidade e das palmeiras de outrora.
Como primeiro elemento significativo, temos a análise do próprio título que nos remete ao conhecido poema Canção do Exílio, do também poeta caxiense Gonçalves Dias, porém, o “exílio” difere nos dois poemas, pois enquanto o poema Gonçalvino tece elogios à terra da qual está ausente e a compara com outras que segundo ele possui menor beleza, o outro lamenta a realidade em que vive nesta terra, Caxias. Dessa forma o sentimento que é expresso, tem como alicerce à fuga, tanto que se recorre ao exílio como saída da inquietude em que se vive.
De acordo com seus segmentos estruturais, o poema é composto por 21 versos e quatro estrofes, sem a presença de rimas, sendo constituído por uma oitava (estrofes com 8 versos),uma sextilha (com 6 versos),uma quadra (com 4 versos) e por um terceto (com 3 versos),não possuindo, assim, uma forma fixa. Seguindo com a análise dos demais extratos encontramos expressões como “jardins urbanos”, que representam a bela paisagem natural que havia na cidade de Caxias, bem como a alegria que exalava do cheiro das árvores, que abrigavam os “pássaros canoros”, expressão que também se refere ao canto dos sabiás que ali estavam no alto das palmeiras, referência típica à nossa cidade.
A primeira estrofe faz uma saudação à cidade que outrora existia na infância do poeta. O eu-lírico expõe que não há mais palmeiras, no sentido de reforçar a reflexão acerca da triste realidade do ambiente caxiense, em que não há uma conscientização a respeito da preservação da nossa história e das características que tornam a cidade marcante. Os dias eram alegres, como se vê no verso seguinte: “com a minha cidade crescia/a romântica dos poetas...”, ou seja, o canto do sabiá servia como uma fonte de inspiração e tornava mais radiante à beleza do solo caxiense, berço de poetas e riquezas naturais.
Partindo para a segunda estrofe temos um olhar saudoso, ao relembrar que os dissabores ficavam em segundo plano, o poema retrata que existia um ambiente harmônico que expulsava tudo aquilo que trouxesse sentimentos contrários à amizade: “a inimizade humana/passava por obre ela/em eólica turbulência rumo/às outras plagas”, ou seja, se dirigia para longe, para outras regiões. O homem que habitava a este solo abrigava uma visão otimista da realidade e do mundo.
A respeito das duas últimas estrofes temos o sentimento de inquietação, de busca por respostas, de saudosismo á uma época diferente da que se tem agora. O eu-lírico desabafa e temos um choro de lamentação intima, ele lembra o canto do sabiá de uma forma diferente, não se percebe o entusiasmo de antes, quando falava das palmeiras, do perfume, de como era bom viver aqui. O que vemos é um sentimento de inconformismo, pois, de certa forma era o inicio de um futuro, como ele mesmo diz, de regresso e de abandono. As palmeiras já não são vistas como antes, até mesmo pelo fato de muitas terem sido alvos de destruíção devido à ação humana, que desmata a nossa vegetação de uma maneira desordenada. Da mesma forma, não ouvimos o som dos sabiás pela manhã, pois, seus lares agora são poucos.
De acordo com essa perspectiva, Canção ao Exílio expressa um pedido de socorro, como o último apelo que se pode fazer: “e, agora, quais árvores darão/abrigo a outros pássaros canoros/para entoarem um canto de saudade?” Essa estrofe se resume ao desespero, a uma pergunta sem resposta, representa que essa saudade será eterna, que irá se perpetuar por todas as gerações que ainda virão. A terra citada por Gonçalves Dias, já não é mais a mesma, o exílio é agora, o desejo de mudança, num sentimento de frustração por ver todas as transformações sem ao menos poder fugir. Faz-se um questionamento a procura de todos os elementos citados na poesia que ultrapassou séculos, cadê as palmeiras, os sabiás, os primores. E a resposta é o silêncio, estamos perdendo aos poucos o símbolo que nos tornam singulares, “a terra onde canta o sabiá”.
ANALISANDO O POEMA PARA CAXIAS, RETIRADO DO LIVRO OUTRAS PALAVRAS, DE SILVANA MENESES:
quando o vento
sussurra no meu ouvido
balança-me, tremula as palmeiras
não existe mais exílio
estou em casa
com o tempo aqui preservado
os becos exalam antigos segredos
as águas ainda murmuram suas canções
os paralelepípedos
sufocados pelo asfalto
outrora pisados por poesia
resistem tal qual
as palmeiras e a sensibilidade
os pássaros voam e pousam
nas vidas entrelaçadas
o canhão lá no morro
guardando o passado
-que de tão longe me dá uma saudade-
com as lembranças adormecidas
numa gaveta a sete chaves.
O poema Para Caxias é de autoria da escritora caxiense Silvana Meneses, membro/fundadora da Academia Caxiense de Letras, com assento à cadeira nº16, patroneada por Nereu Bittencourt. O poema faz uma homenagem à cidade de Caxias, onde a escritora cresceu e teve a oportunidade de publicar grandes obras, que expressam o dom que corria em suas veias e uso da palavra como fonte de poesia.
A autora se volta para Caxias, com uma imensa gratidão e saudade dos velhos tempos. Podemos perceber o quão grande é a sua admiração ao relembrar a felicidade e satisfação de fazer parte do seio caxiense. De uma forma diferente, com o uso de versos que não se preocupam com uma forma rígida, mas sim com a forma com que as palavras são lançadas.
O poema é composto por uma única estrofe de 20 versos (estrofe irregular) e não apresenta rimas. A respeito da análise do mesmo, temos elementos que constituem uma espécie de ode a Caxias, o “vento” traz as lembranças de uma época que se respirava poesia e uma história singular, que marcaram o surgimento do berço dos poetas. “A palmeiras” simbolizam mais uma vez, o canto do sabiá e remonta à poesia Gonçalvina. De acordo com o eu-lírico a história se mantém preservada, na memória e em tudo aquilo que é possível ver ao nosso redor.
Faz-se uma homenagem ao morro do Alecrim, quando cita: “o canhão lá no morro/guardando o passado”, a guerra da balaiada aparece aqui de uma forma explicita, e reforça ainda mais o saudosismo que a autora ainda guarda dentro de si. É notório ressaltar que diferente do poema do poeta Wybson Carvalho também em alusão à Caxias, o poema de Silvana Meneses estabelece uma nova visão do passado. Enquanto que em Canção ao Exilio lamenta-se a realidade, neste tem-se uma postura de conservação daquilo que já se passou, mas que se mantém preservado. Ainda há o cheiro de poesia, a historia ainda esta guardada nas ruas e becos da cidade. Tem-se a ideia de que o que não se pode viver outrora revive agora num momento distinto.
No que se refere à linguagem, podemos perceber que a autora faz uso de uma maneira simples e particular de expressão. Porém, um traço rico de constituir poesia. Através da união de palavras típicas que correspondem ao berço da historia local: o canhão (Guerra da Balaiada); as palmeiras (árvore típica da região dos cocais); o sabiá (ave símbolo da cidade de Caxias); os paralelepípedos (as formas que a cidade possui); as águas (simbolizam o Rio Itapecuru) e o asfalto sufocado por poesia (remete ao fato da cidade ser considerada o berço dos poetas, a exemplo de Gonçalves Dias e Coelho Neto).
A partir desses elementos podemos perceber que Caxias faz parte de uma realidade que corresponde a tudo aquilo que se constitui “imortal”, são vários símbolos que traçam um perfil da chamada “Princesinha do Sertão”. Respira-se poesia e beleza em tudo que faz parte desse pequeno pedaço do mundo, as ruas, as árvores, as aves, as águas, as igrejas, as praças. Estamos cercados de história, poetas do passado e do presente, a exemplo da autora Silvana Meneses que faz reviver o sentimento de amor e zelo a nossa cidade. Com uma poesia que não se preocupa em transmitir, mas sim exprimir de uma forma singular e magnifica as belezas de Caxias, abarcado pelo simples e também complexo uso da palavra.
Odilene Silva do Nascimento Almeida.
REFERÊNCIAS:
CARVALHO, Wybson. Poesia Reunida (Coletânea). 3ª Edição. São Luís: Estação Gráfica, 2012.
MENESES, Silvana Lourença. Outras Palavras. São Luís: Gráfica e Editora Aquarela Ltda., 2005.
SOUSA, Isaac. Caxienses ilustres: elementos biográficos: tomo II. São Paulo: Scortecci.
Excelente recurso de transmissão da mensagem cristã para crianças. A criatividade, a fantasia, a imaginação, a curiosidade..., são características desta faixa etária e estão (ou, deveriam estar) todas presentes no teatro infantil. Contudo, este recurso deve ser utilizado na catequese para todas as idades.
O teatro é um meio de comunicação muito importante em todas as culturas pelo seu poder de levar ao conhecimento e à interiorização da mensagem apresentada.
Este recurso foi muito utilizado pelos jesuítas na catequese indígena e foi instrumento de grande eficácia e valor educativo.
Para bem aproveitar o teatro na transmissão da Boa Nova de Jesus, não podemos perder de vista que nada será mais importante do que a própria mensagem. É para que ela chegue, seja assimilada e caia em cada coração, que devemos trabalhar. Se perdemos este objetivo de vista, tudo o mais perde o sentido e será apenas mais uma exibição.
Vejamos alguns pontos importantes:
Construção do Texto
Todo teatro parte de um texto que, neste caso, pode ser uma passagem bíblica, um sociodrama (situações condizentes à realidade da criança), um conto infantil adaptado para atingir o objetivo catequético/evangelizador, uma história inventada, etc. Em alguns casos, torna-se necessário o papel do narrador. O importante é não esquecer de elementos que caracterizam o teatro infantil e atraem a atenção das crianças:
Dinamismo / Movimento / Participação do público;
Diálogos curtos com vocabulário de fácil compreensão;
Música/ sonoplastia / onomatopéias;
Suspense / surpresas;
Humor;
Fantasia / Figurino / Cenário sugestivo;
Curta duração.
O dinamismo e o humor não dispensam os cuidados que devem ser tomados para que não sejam cometidos abusos com o que é sagrado.
Mesmo não sendo um ator, todo catequista pode (e deve) usar o recurso do teatro. Aqui vão algumas dicas:
Desinibição
Descontração / Naturalidade / Não temer o ridículo / Sair de si para assumir o outro / etc.
Também não significa "ser ridículo", exagerado, extravagante, rir à toa, etc. Apenas assuma o papel.
Oficina: Você é Maria recebendo a notícia do anjo. / Você é Zaqueu, subindo na árvore. / Você é Golias..., tomando uma pedrada de Davi. / Você é Jonas, sendo engolido pelo peixe. / Todos nós somos as águas na hora da tempestade. / E agora, somos as águas da tempestade acalmada.
Improvização
Observar as várias possibilidades. / Fazer com o que se tem na hora. / Às vezes, basta um gesto ou um acessório. / Não cair na mesmice .
A improvisação requer conhecimento do todo e não pode atrapalhar a continuidade.
Expressão corporal
Corpo: Há inúmeras possibilidades de expressão. / O corpo fala : pelas mãos; pelos ombros; pelas pernas... Basta você começar a treinar! Chama-se "fazer laboratório".
Trata-se de observar gestos e detalhes para poder reproduzir. E, lembre-se "Não sou eu, é o outro."
Oficina: Você é um leão!/ Você é um soldado./ Você é um moleque levado! / Você é uma criança muito educada./ Você é um macaco! Você é uma árvore./ Você é um jovem, cheio de ginga. / Você é um velhinho cansado./ Você é uma velhinha irritada. Oficina: "Tempestade Acalmada"
Expressão facial
Rosto - cartão de visitas! Denuncia o que sentimos e até o que pensamos.
Observar no espelho as várias possibilidades de cada parte (sobrancelhas, olhos, boca, nariz...).
Oficina: Cara de assustado; cara de felicidade; cara de desconfiado; cara de muito irritado; cara triste; cara de nojo; cara de desanimado; cara de quem ama Jesus.
Expressão Vocal
Voz: canal por onde passam sentimentos/emoções. / É preciso evitar falas mecanicamente decoradas e procurar passar, pela voz, o sentimento presente: alegria, preocupação, tristeza, medo, segurança, dor... É preciso evitar vozes estridentes, que irritem os ouvidos ou prejudiquem a comunicação da mensagem. Usar pausas, quando necessário, para chamar a atenção, ou
- altos e baixos;
- graves e agudos, para variar de homem para mulher; de adulto para criança;
- usar onomatopéias, procurar imitar a voz dos animais.
Construção das Personagens
Construir uma personagem é somar todos os pontos acima e aplicá-los ao papel a ser desempenhado. E mais, é procurar caracterizar da melhor forma possível a personagem, através de figurino e/ou acessórios.
Obs.: O figurino não deve atrapalhar ou impedir o movimento e a expressão, pois já sabemos que o mais importante é a mensagem.
Modalidades de teatro
Há várias modalidades de teatro e, de cada uma delas, podemos aproveitar sugestões para usar o teatro na catequese.
Tradicional
Teatro formal: com texto, cenário, figurino, palco, tudo organizado. O público assiste, sem ter participação direta.
Vanguarda
Não há palco definido. Atores se misturam ao público; o público se desloca para onde ocorrem as cenas; grande capacidade de dinamismo e de atrair a atenção. O público também pode participar.
Mambembe
É o estilo versátil, que vai às ruas, praças, hospitais... É preciso prever que será preciso improvisar locais para apresentação, para armar cenário, para se vestir, etc.
Sociodrama
Dramatização de situações cotidianas. O texto é improvisado. Mediante a intenção daquilo que se quer transmitir, combina-se a situação e são distribuídos os papéis.
Bibliodrama
É a encenação de textos bíblicos. Para crianças, tais encenações são muito importantes, porém, são necessárias adaptações no vocabulário e condensação de passagens muito longas. É preciso evitar a apresentação de fatos bíblicos de difícil interpretação ou que exijam um conhecimento mais aprofundado da História da Salvação. Cabe repetir os cuidados que devem ser tomados para que não haja deturpação do sentido do texto.
Fantoches
Diálogos curtos. Falar bem alto, devagar e claramente. É preciso treinar o manejo. Quem maneja, não deve deixar nenhuma parte do seu corpo aparecer. Os demais bonecos se voltam para aquele que fala e só o que fala deve se mexer. A boca abre na mesma proporção da quantidade de sílabas.
Cuidado para que os bonecos não fiquem caídos sobre a cortina ou olhando para o alto! Há vários tipos de fantoches e você mesmo pode fazer um.
Cenário
O cenário, basicamente, pode ser composto por um painel ao fundo e por uma cortina. Um cenário mais completo contém móveis, árvores, objetos, divisórias, etc. Podem, também ser usadas placas, indicando lugares "IGREJA"; "CASA"; "FLORESTA".
O importante é que seja sugestivo, que ajude a transportar a criança para o local onde se passa a cena. Muitas vezes, uma simples mudança na arrumação, resolve
SAMARITANA
Piedosa gentil Samaritana:
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!
Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!
Fugis, então, ao mísero que implora
O saciar da sede que o consome,
O saciar da sede que o devora?
Pecais, assim, Samaritana! Vede:
- Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.
Preferência
Do amor
quero a causa da intenção
para que ele exista em nós.
Do ódio
não quero a intenção da causa
para que ele desista de mim e de ti.
Wybson Carvalho - Poeta Caxiense - CaxiasMA

O termo teatro deriva do grego theatrón, que significa “lugar para contemplar”. O teatro é um dos ramos da arte cénica (ou performativa), relacionado com a actuação/interpretação, através do qual são representadas histórias na presença de um público (a plateia). Esta forma de arte combina discurso, gestos, sons, música e cenografia.
Por outro lado, o vocábulo teatro refere-se igualmente ao género literário que compreende as obras concebidas num cenário e ao edifício onde são representadas as peças teatrais.
As origens históricas do teatro surgem com a evolução dos rituais relacionados com a caça e com a colheita (agricultura), que desembocaram em cerimónias dramáticas através das quais se prestava culto aos deuses e se manifestavam os princípios espirituais da comunidade.
No Antigo Egipto (em meados do segundo milénio antes de Cristo), por exemplo, existia o hábito de representar dramas com a morte e a ressurreição de Osiris. Por essa altura, passou-se a usar as máscaras e a proceder às dramatizações com as mesmas